sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um paradoxo chamado Vida!


Ela queria que o tempo parasse por um instante para poder se recolher em seu lugar predileto e observar tudo que há em volta, não pensar em nada, não ter que se preocupar com as horas, nem com os afazeres.

Queria entender porque as pessoas mentem, sentem antipatia por quem nada fez para isso, humilham outras pessoas como se fossem superiores quando vieram do mesmo pó e ao pó retornarão igualmente.

Ela queria encontrar no mundo alguém que pudesse oferecer uma amizade verdadeira, totalmente destituída de inveja, falsidade, competitividade, mas percebeu que é mais fácil encontrar um homem que a compreenda do que uma amizade feminina com tais características, salvo a de mãe.

Queria encontrar o seu príncipe encantado, e encontrou. Mas, aprendeu que mesmo que se encontre o príncipe encantado e o mesmo encontre sua princesa "indefesa", nem sempre a história termina como nos contos de fadas.

Um dia entendeu que o tempo, as pessoas, as amizades, o amor, até o amor em algumas situações, são passageiros. O sentido da vida é que esta não foi criada para as pessoas e sim para o seu criador. Não se vive para este mundo.

Pode-se pensar talvez, que vive-se para a morte. As atitudes tomadas e as escolhas feitas aqui, decidirá onde cada um irá após esta vida, ou a morte.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Grito da alma em silêncio


Parte de mim é o meu silêncio.
Outra parte é a frivolidade, a desilusão, a indiferença.
Sinto-me uma morta-viva ambulante sem saber ao certo onde vou chegar.
Pode alguém sentir-se vivo, ou humano sem amar?
É certo que sem amor a vida perde o sentido pois, por mais que você faça, estudos, trabalho, ter muitos bens, fazer caridade, nada tem valor porque sem amor o tudo é nada.
Você deve estar pensando: Que texto melancólico!
Antes fosse! No vazio em que me encontro nem a melancolia, nem o tédio me alcançam, apenas a inércia.
Tudo que posso ouvir são os ecos dentro do meu vazio.
O que me faz nunca desistir de tudo na vida, e recomeçar ao amanhecer é a esperança, ainda que como um broto em meio a terra seca, de que há alguém que está mais alto que é abundante em vida e amor e quer dividí-los com os que querem, nos quais eu me incluo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aos que não nos enxergam

Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.

Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.

Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.

Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?

Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.

Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.

Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.









Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz...”*

Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você. Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.

* Trechos da música OLHOS NOS OLHOS, de Chico Buarque

Fernanda Young